quarta-feira, 12 de março de 2014

Internet completa 25 ano. Conheça a história da 'World Wide Web'

Há 25 anos, a Internet não era mais do que uma ideia de um especialista em informática desconhecido em um laboratório europeu, e ninguém sonharia que, pouco tempo depois, a World Wide Web (www) se tornaria um fenômeno mundial que mudaria a vida de bilhões de pessoas.

O britânico Tim Berners-Lee trabalhava em um laboratório do CERN, Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, quando pensou em uma maneira fácil de acessar os arquivos de computadores interconectados.
Ele deu forma à essa ideia em um artigo publicado em 12 março de 1989, data adotada como a partida para o nascimento da "World Wide Web".

A ideia era tão ousada que corria o risco de nunca se transformar em realidade.

"Existiu uma grande dose de orgulho no início do projeto", disse em entrevista à AFP Marc Weber, criador e curador do programa sobre a história da Internet no Museu da História do Computador em Mountain View, Califórnia.

"Tim Berners-Lee propôs do nada, sem que alguém tivesse pedido, todo esse sistema de gestão de documentos", e no início seus colegas o "ignoraram por completo", conta Weber.

A web e suas rivais
Em uma explicação básica, a web é um software para navegar pela informação que está on-line. Seu diferencial é a possibilidade de clicar em links para abrir os arquivos em computadores que podem estar em qualquer lugar.

Berners-Lee finalmente convenceu o CERN a adotar o sistema após demonstrar sua utilidade compilando um anuário de laboratório em um índice online.

Mas, mesmo assim, a batalha não estava ganha. Os militares dos Estados Unidos começaram a estudar a ideia de conectar os computadores em redes na década de 1950, e em 1969 lançaram Arpanet, precursora da atual Internet.

Inicialmente, a web tinha rivais como CompuServe e Minitel, por exemplo. Mas eram pagas, enquanto o sistema de Berners-Lee permitia publicar conteúdo gratuitamente em máquinas conectadas à rede, disse Marc Weber.

O vice-presidente Al Gore teve um papel importante na decisão dos departamentos de governo de se incorporarem à web, e o lançamento em 1994 do site da Casa Branca foi um selo de aprovação.

A partir de então, enquanto crescia a um ritmo trepidante, a quantidade de informação alojada nos servidores, gigantes como Google e Yahoo! nasceram como serviços para ajudar as pessoas a encontrar páginas interessantes.
"O computador pessoal mudou nossa forma de trabalhar, mas a web revolucionou e mudou muitas áreas", diz Michael McGuire, analista da empresa de pesquisas Gartner.

A possibilidade de acessar e baixar gratuitamente os arquivos na Internet transformou os modelos tradicionais de atividades como música, cinema e os meios de comunicação.

"Qualquer um pode ser um ouvinte, qualquer um pode ser um editor, na mesma rede. Nunca existiu nada como isso", disse Jim Dempsey, vice-presidente a cargo de políticas públicas no Center for Democracy & Technology, com sede em Washington.

Liberdade ameaçada
Um princípio importante da Internet é sua natureza igualitária e aberta, mas essa condição está ameaçada, adverte Jim Dempsey.

"O problema é que se pode limitar a capacidade das pessoas para criticar o governo, ou criar uma Internet de várias velocidades que seja mais difícil para os inovadores, os críticos ou os defensores dos direitos humanos alcançarem um público mundial".

A web unificou a Internet, mas nada está "escrito em pedra" e poderia se fragmentar de novo, segundo Marc Weber.

Nos Estados Unidos, os grandes provedores de acesso à Internet se atribuíram o direito de tratar de maneira preferencial alguns dados que circulam online.

Os governos tentam diminuir a proteção de dados privados online e em alguns casos restringem a liberdade de acesso à Internet com o bloqueio de páginas ou serviços.

Outra questão em jogo é o acesso à web de bilhões de pessoas nos mercados emergentes, principalmente com o uso dos smartphones. "A web tem apenas meio caminho andado, e ainda não é mundial", lembra Marc Weber. Dados divulgados pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) apontaram que apenas 35% da população mundial tem acesso à internet, ou seja, apenas 2,45 bilhões de pessoas no planeta acessam a rede mundial de computadores.


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