segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Pau dos Ferros teme colapso em abastecimento de água

Coloração marrom e odor de dar ânsia de vômito. Essa é a descrição da água que chega até as torneiras da população do município de Pau dos Ferros há aproximadamente seis meses. Cansados de reclamar e sem saber a quem recorrer, moradores da cidade se veem obrigados a comprar água levada de Apodi por não suportar consumir a que é oferecida em sua cidade.

O abastecimento de água de Pau dos Ferros se encontra no estado crítico, com menos de 13% da capacidade do seu reservatório, a Barragem de Pau dos Ferros. Devido a esse baixo volume de água ocasionado pela falta de chuvas dos últimos anos, a água que tem chegado às residências dos pau-ferrenses tem gerado muitos transtornos na cidade. Hotéis, pousadas e restaurantes sofrem com a diminuição da clientela.

Esse é o caso da empresária Ivanalda Oliveira, que administra o Terminal Turístico de Pau dos Ferros Lindalva Torquato Fernandes. Ela afirma que o movimento de clientes no Terminal caiu em torno de 60%. "Já trabalho aqui há mais de 11 anos e os meses de setembro e outubro costumam ser bem movimentados, mas depois que a água começou a vir desse jeito, com esse mau cheiro muitos clientes deixaram de vir. O pior é que não podemos fazer nada, não temos condições de comprar outra água para oferecer, pois já temos gastado muito tendo que comprar para cozinhar. Está muito difícil para mantermos o estabelecimento aberto já que aumentou a despesa e diminuiu a clientela", afirma.

A empresária conta que por mês está comprando água de quatro caminhões-pipa que vão de Apodi. Cada um custa R$ 50,00. "Compramos essa água só para cozinhar e beber, os demais serviços, como banho e limpeza temos que usar a água daqui mesmo, não tem outro jeito. Não sei como vai ser daqui pra frente já que o que se ouve falar é que quanto mais a barragem seca, mas a qualidade da água piora", lamenta.

O mesmo drama de Ivanalda Oliveira é enfrentado pelo dono de uma das pousadas da cidade, o empresário Anísio Marques de Sousa. Com 51 apartamentos para gerenciar, ele conta que tem sido bastante prejudicado pela péssima qualidade da água que chega à cidade. "A gente não pode fazer nada. Os hóspedes reclamam, mas infelizmente é uma realidade que estamos enfrentando e que ninguém sabe quando vai acabar. O que vem acontecendo acima de tudo é falta de interesse político em se unir para resolver esse problema. Eles tentam resolver o problema com medidas paliativas que na verdade não servem. Tem que haver é união de todas as esferas, aí sim encontrarão o caminho para solucionar esse problema da água. Não tem cabimento uma cidade em pleno desenvolvimento como Pau dos Ferros oferecer uma água dessa qualidade", declara o empresário.

Ele conta que também tem comprado água de poços vinda de Apodi para ser utilizada apenas na cozinha do restaurante. "Não temos condições de comprar água para abastecer os apartamentos, então vamos comprando pelo menos a de cozinhar. No final do mês tenho duas contas de água para pagar. É um absurdo. A presidente Dilma veio ao RN e nenhum político falou com ela a respeito dos problemas que estamos enfrentando com a água. Mais uma vez digo que está faltando interesse político", reclama.

CAERN

O engenheiro civil da Companhia de Abastecimento de Água Esgotos do RN (CAERN) em Pau dos Ferros, Anderson Araújo, garante que a companhia não está medindo esforços para garantir a qualidade da água no município. Ele afirma que semanalmente são realizadas coletas de amostras e tentado diversas alternativas para tentar garantir que a água que chegue às residências tenha qualidade para o consumo. "Temos buscado várias alternativas e feito tratamentos diferenciados, no entanto a cada dia que passa a barragem seca mais e com isso temos ainda mais dificuldade em realizar o trabalho. O que acontece é que a qualidade da água tratada depende muito da qualidade da água bruta e quanto menos volume no reservatório, teremos mais dificuldade em obter resultados satisfatórios", afirma o engenheiro.

MP ajuíza ação para garantir o abastecimento de água potável

O Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Pau dos Ferros, ajuizou ação civil pública contra o Estado, o Município e a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) com a finalidade de que sejam realizadas obras que garantam a continuidade, pela rede canalizada, em definitivo, do abastecimento doméstico de água potável na cidade.

Na ação ajuizada pelo promotor de Justiça Mac Lennon Lira dos Santos Leite, o MPRN também pede que Estado, Município e Caern façam planejamento para abastecimento temporário por carro-pipa em caso de colapso no sistema de abastecimento atualmente implantado.

Essa medida visa garantir o fornecimento de água potável e de qualidade à população. Além disso, a ação ainda pede que seja iniciado o racionamento da água disponível na barragem da localidade, a fim de postergar o iminente colapso no abastecimento de água em Pau dos Ferros.

A Promotoria de Justiça apurou que o mau cheiro seria resultado do tratamento insuficiente dado pela Caern à água, já que foi identificada a falta da etapa de decantação. Mesmo tratada, a água estaria sendo distribuída com algas, que chegam às caixas d"água das residências, e sem a luz do sol para a fotossíntese, provavelmente morrem e se decompõem, deixando o mau cheiro.

O Instituto Estadual de Defesa do Meio Ambiente (IDEMA) atestou o processo de eutrofização (proliferação de algas) no reservatório da Pau dos Ferros. Com a ação, o MP Estadual arrazoa em Juízo que o tratamento da água de Pau dos Ferros não está sendo suficiente para manter a potabilidade durante o período de consumo, o que pode causar riscos para os consumidores.

 População pede providências para mudar situação

Lucélia Nobre é comerciante em Pau dos Ferros e semanalmente é obrigada a comprar garrafões de água para beber e cozinhar para a família, já que a água que chega às torneiras é praticamente inutilizável para esses fins. Ela reclama do gasto com a compra. São 15 garrafões por semana, cada um ao preço de R$ 2,50 o de água do poço e R$ 4,50 o de água mineral.

"É um gasto muito grande pra gente que vive do comércio. Praticamente todo o lucro de um dia de vendas é usado para comprar água. Quando chega ao final do mês ainda tem a fatura da Caern para pagar. É um absurdo uma coisa dessas", diz.

A mesma reclamação parte do seu colega de feira, o ambulante Pedro Justino Neto, que teve que improvisar um reservatório de água extra para armazenar a água que compra de Apodi. "Limpei e dei um jeito numa caixa d"água que tinha em casa de 40 litros. Estou comprando e armazenando só para cozinhar e beber", destaca.

MARÇONARIA

Membros das Lojas Maçônicas Francisco Sales do Nascimento, Manoel Reginaldo da Rocha e 13 de Setembro, em Pau dos Ferros, estão coletando assinaturas de cidadãos para serem encaminhadas à Promotoria Pública da comarca no município, a cerca do colapso de água que atinge a cidade.

O abaixo-assinado pede uma providência urgente com relação ao abastecimento de água do município que se encontra no estado crítico, com menos de 13% do seu reservatório.

Ainda sobre a movimentação da Maçonaria, as três lojas estão na luta em favor da adutora expressa que leve água da Barragem de Santa Cruz, no município de Apodi, até a região do Alto-Oeste. "Essa é uma luta de toda a população de Pau dos Ferros, no qual deve se engajar e conseguir o máximo de assinaturas possíveis, como forma de provocar o Ministério Público e ver que a preocupação na falta da água, não atinge um segmento da sociedade, e sim, de forma geral, dessa forma, a coleta dessas assinaturas é de grande importância e a ideia deve ser abraçada por todos", destacou o Venerável Mestre Hélio Diógenes, da Loja 13 de Setembro.

*Informações do Jornal Gazeta do Oeste


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