terça-feira, 1 de outubro de 2013

Amanhã, 30 de setembro, Mossoró celebra a libertação dos escravos, feito ocorrido em 1883, cinco anos antes da Lei Áurea

Amanhã, 30 de setembro, Mossoró celebra uma de suas principais conquistas: a libertação dos escravos, feito ocorrido em 1883, cinco anos antes da Lei Áurea. Mais de três séculos após o acontecimento histórico, a cidade continua celebrando a data, sendo a única no país a comemorar a abolição antecipada da escravatura. Intitulada como "Terra da Liberdade", Mossoró hoje está aprisionada, segundo sociólogos, em virtude da ineficácia de serviços essenciais como educação, saúde e segurança.

"Vivemos em uma sociedade com inúmeras precariedades sociais, anômica, que está em crise moral e sem valores. As pessoas não acreditam mais nos entes federativos. O discurso de liberdade, o mito que se construiu tem seus significados, agora o perigo é traduzir essa realidade para uma realidade que não existe, que não condiz com o que estamos vivendo", relata o sociólogo Vanderlei de Lima.

De acordo com o especialista, hoje não há a garantia para o cidadão de direitos sociais, como saúde, educação e segurança. "São diretos básicos que não são respeitados. Em Estados que adotaram a política de bem-estar social, como os países do norte europeu, os serviços oferecidos funcionam como uma forma de salário indireto, há um ganho coletivo porque as coisas funcionam", diz.

Que liberdade o cidadão mossoroense tem de ir e vir sem se preocupar com a sua própria segurança? "Vivemos em uma sociedade extremamente insegura. As pessoas estão preferindo fixar moradia em condomínios fechados, deixando de morar em espaços de maior convivência, como casas. É o reflexo da insegurança, que chegou a um nível calamitoso", relata Vanderlei de Lima.

Problemas no transporte público também impossibilitam os mossoroenses de se sentirem livres, no sentido de poder se locomover na cidade sem a necessidade um veículo particular. "É inimaginável que uma cidade com quase 300 mil habitantes tenha um sistema de transporte público de qualidade quase que completamente ausente. O trânsito já está um caos, a tendência é que a situação fique ainda mais complicada", enfatiza o sociólogo.

E o que fazer para tornar a população definitivamente livre dessas problemáticas? "Temos que cobrar dos gestores, discutir políticas públicas específicas para cada setor, exigir a criação de planos que contemplem as nossas necessidades, pois pagamos caro ao Estado, trabalhamos cerca de cinco meses por ano só para pagar impostos, é preciso um retorno satisfatório", conclui Vanderlei de Lima.

Conheça a história da libertação dos escravos em Mossoró

A ideia da abolição dos escravos em Mossoró surgiu durante uma homenagem prestada na Loja Maçônica 24 de Junho ao casal Romualdo Lopes Galvão. Na ocasião, a ideia de fundar uma sociedade com o objetivo de abolir a escravidão foi difundida pelo Venerável Frederico Antônio de Carvalho, e no dia 6 de janeiro de 1883, era instalada, na Câmara Municipal, que funcionava no edifício da Cadeia Pública, hoje Museu Lauro da Escóssia, a "Sociedade Libertadora Mossoroense".

A "Sociedade" estabeleceu como meta para alcançar seu objetivo de libertar todos os escravos que viviam em Mossoró, o dia 30 de setembro como data limite para que os 86 escravos que existiam na cidade fossem livres e no dia 10 de junho, em sessão especial realizada na Loja Maçônica 24 de Junho, 40 escravos forram alforriados. 

No dia 29 de setembro, o presidente da entidade fundada com o objetivo de abolir a escravatura em Mossoró, Joaquim Bezerra da Costa Mendes, encaminha à Câmara Municipal ofício informando que a proclamação solene de Liberdade em Mossoró ocorreria no dia seguinte, ao meio-dia, e assim foi feito.

*Informações do Jornal  O Mossoroense


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