quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Martin Luther King: 50 Anos Após Seu Mais Famoso Discurso

Era o ano de 1963, nos Estados Unidos da América, país com forte cultura racista e claramente desigual. Os anos 60 foram aqueles anos em que a efervescência política tomou conta dos grupos de minorias políticas e, exatamente no ano de 1963, o pastor Martin Luther King Jr, ícone da luta por igualdade racial, por direitos e liberdade para a enorme e oprimida população negra dos EUA, desferiu um golpe contra o racismo: seu discurso "I have a dream" (Eu tenho um sonho) foi proferido para 250 mil pessoas.
Essas 250 mil pessoas eram manifestantes que realizaram a Marcha para Washington reivindicando empregos e liberdade para negros. A marcha foi liderada por King, que caminhou junto aos manifestantes até o Memorial Lincoln, onde, em suas escadarias, iniciou seu célebre discurso.
A liderança de King e sua ativa participação política tiveram como resultado a aprovação das leis de Direitos Civis e Direitos Eleitorais. Sua grande capacidade de mobilizar 250 mil manifestantes pressionou o congresso a aprovar as leis em 1964 e 1965, respectivamente. O impacto de seu discurso foi imenso: a causas dos movimentos negros foram ouvidas, suas ações tiveram mais força e suas palavras foram a inspiração para a luta por igualdade racial nos EUA e no mundo. Em 1964, King recebeu o Nobel da Paz pelo combate à desigualdade racial através da não-violência.
Seu discurso era a expressão do sonho por um país mais justo, igualitário, onde negros e brancos pudessem viver e conviver juntos, sem a discriminação racial que obrigava a negros usarem banheiros e sentarem em bancos de ônibus separados dos mesmos utilizados por brancos. Seu discurso era a inspiração para que todas as barreiras raciais e sociais nos Estados Unidos fossem derrubadas e que um novo país, um país livre para todos, nascesse no fim daquela luta. Era, também, um programa de ação, pois foi nele que a definição da luta sem-violência foi tornada geral para os movimentos dos EUA e que a participação de todos, negros e brancos, deveria ser aceita para compor o conjunto de ativistas.
Passados cinquenta anos do dia em que fez seu discurso, os ideais de King, como a luta pautada pelo pacifismo, ainda tem importância fundamental em todo o ocidente. Suas táticas que envolviam a não-violência e a união de brancos e negros em toda a manifestação, colocaram as reivindicações por igualdade e contra a discriminação impossíveis de não serem vistas.
O sonho de uma sociedade igualitária, o sonho de seu discurso, ainda é um sonho que precisa ser alcançado, mas é inegável que todas as mudanças que ocorreram nas questões raciais tiveram como protagonista o pastor cristão de Atlanta que foi morto em 1968, aos 39 anos, por James Earl Ray. Ray considerava King um traidor da pátria, que desviava o foco das ações do Estado americano para questões consideradas por ele como de menor importância.
King, naquele momento, estava em Memphis, cidade americana do Tennessee, hospedado em um hotel, se preparando para invocar a relevância da não-violência. Dias antes, uma paralisação de funcionários negros da limpeza pública saiu de controle e teve como resultado o enfrentamento com a polícia e a morte de um garoto de 16 anos.
A sua importância nos EUA é atual e é vista na Semana de Comemorações em Washington, em que, no dia 28 de agosto, o mesmo dia da fala de King há cinquenta anos, Barack Obama realizará um discurso, com a presença de familiares de Martin Luther King e dos ex-presidentes democratas Bill Clinton e Jimmy Carter. O discurso do primeiro presidente negro dos Estado Unidos da América será feito nas mesmas escadarias em que o ativista pelos direitos civis emocionou milhares na Marcha para Washington.



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