terça-feira, 9 de abril de 2013

“Balanço Geral” é opção indigesta na hora do almoço

Tenho comentado com amigos jornalistas e profissionais de TV que a Record - ao mesmo tempo em que se mostra disposta a chegar ao primeiro lugar, copiando em tudo a líder - coloca os dois pés na lama, quando quer apelar, em busca de audiência fácil. É preciso se decidir: quer ser Globo, com qualidade tecnológica e de acabamento, regularidade de horários (respeito ao telespectador) ou quer ser RedeTV!, com o que há de mais trash em nossa televisão aberta atualmente.


Um exemplo clássico disso é o “Balanço Geral” (o programa está “na boca do povo” por conta do fenômeno Marquinhos), comandando por Geraldo Luís na hora do almoço. Indigestão certa! O que é aquilo? Jornalismo, show ou horror? Ou tudo junto e misturado? Diria o outro: “se cobrir vira circo, se cercar vira hospício”. Não questiono o trabalho do profissional (apresentador), mas o conjunto da obra, o fato de se prestar a esse papel.
Pior saber que esse tipo de atração se alastra pelo interior do Brasil, principalmente Norte e Nordeste (bastam alguns vídeos na Internet para comprovar o que estou dizendo), servindo de palanque para apresentadores demagogos, que se acham donos da verdade e adoram fazer tipo - encenações das mais forçadas e bizarras -, se exaltar e destilar todo tipo de hipocrisia. Enquanto isso, repórteres desrespeitam entrevistados, forçam situações, são tendenciosos e muitas vezes preconceituosos. E tem os mais desavisados que os acham “os caras”.
Temos que encarar Geraldo tentando, sem sucesso, fazer graça ao lado do anão Marquinhos (sem timing, bem sem graça, não vejo nada demais...) e de um galo no cenário (batizado de William). Por essas e outras, não é possível enquadrar um negócio desses na categoria jornalismo. Se bobear, entretenimento com pitadas jornalísticas (prioritariamente as mais sensacionalistas). Casos de fantasma, coisas do além e por aí vai... Se em uma metrópole como São Paulo é assim, imaginem por aí afora.
Misturar jornalismo e show não é novidade (como diria Silvio Santos, "quanto vale o show"?). Há países em que as notícias (da política, da economia etc.) são transmitidas enquanto as apresentadoras tiram a roupa, assim como a previsão do tempo. O próprio “CQC”, da Band (cujo original é argentino – “Caiga Quien Caiga” - e vem dando a volta ao mundo) é um exemplo. No México, existe há anos o matinal “El Mañanero”, comandado por Victor Trujillo (conhecido como Brozo).
A diferença para Geraldo Luís e seu “Balanço Geral” (a própria Record tem versões locais do programa) é que Brozo - mesmo com as palhaçadas, as assistentes com pouca roupa e todo o circo armado – faz de “El Mañanero” um programa de prestígio e é uma das figuras mais importantes da TV mexicana. Com cara pintada de palhaço, coloca o dedo na ferida discutindo questões sociais e políticas (em entrevistas e debates), com doses ácidas de humor e ironia. Senadores já chegaram, inclusive, a pedir que o tirassem do ar.
Aqui, Geraldo fica no teatrinho raso e nem precisa pintar a cara diante do mau gosto de reproduzir, por exemplo, o drama das vítimas da boate Kiss (incendiada em Santa Maria/RS) com direito à fumaça cênica (gelo seco) e um clima macabro. Pra que? Fala, fala e não vai pra lado nenhum. Nós é que ficamos com aquela sensação de “vergonha alheia” e nos perguntamos no final: é pra rir ou pra chorar?


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