domingo, 23 de setembro de 2012

Insegurança cresce na rede de ensino público


A escola deveria ser um ambiente seguro para os pais deixarem seus filhos, porém não é isso o que vêm acontecendo nos colégios de todo o país. Os genitores, professores e alunos registram através dos meios de comunicação ou presenciam todos os dias acontecimentos como agressões físicas e verbais direcionadas aos professores, arrombamentos e incêndios a instituições de ensino.

Em Mossoró, a situação não é muito diferente, e ao longo deste ano ações de vandalismo e de violência foram registrados nas escolas do município e do Estado. No mês de julho foram registrados dois atentados nas escolas municipais Antônio da Graça Machado e Raimunda Nogueira do Couto, nesta os professores decidiram suspender as atividades até que a alguma providência em relação a falta de segurança fosse tomada.

A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum), Marilda Sousa, falou que a violência não é encontrada apenas na área externa das escolas, ela tem atingido também o interior das instituições, trazendo medo principalmente para os professores.
"Infelizmente a insegurança chegou ao interior das unidades educativas. Durante as visitas às escolas o sindicato percebeu que houve um aumento dos casos de agressões físicas e verbais aos educadores, além da depredação dos ambientes, com destaque nas regiões periféricas. Os profissionais estão com medo de ir trabalhar, pois muitas vezes têm seus carros riscados, pneus furados, entre outros danos materiais".

Entre algumas sugestões dadas pela presidente do Sindiserpum para solucionar o problema estão o aumento do reforço policial nas escolas, bem como investir de forma efetiva em ações educadoras e preventivas junto aos pais, alunos e órgãos ligados à criança e ao adolescente.

"A violência nas instituições de ensino da rede estadual e municipal deve ser discutida com todos os agentes envolvidos na situação, isto é, pais, estudantes, professores, secretarias de educação, Conselho Tutelar, Ministério Público, sindicatos. Com a intensificação do policiamento nas escolas e um trabalho de conscientização poderemos reverter o quadro existente de insegurança. Temos desenvolvido ações nos quatro polos de ensino de Mossoró, isto é, as áreas dos conjuntos Abolição, bairros Santo Antônio, Boa Vista e Alto de São Manoel, com o intuito de ajudar a mudar essa realidade", relatou Marilda.
A professora Andréa Carla disse que a muitos anos o problema já existe em Mossoró e tornou-se parte da rotina ouvir ou presenciar situações nas quais os educadores são alvos de violência por parte dos alunos ou seus parentes.

"A violência está grande e têm crescido nos últimos anos. A gente se sente indefeso, sem ter a quem recorrer. Grande parte dos casos são abafados nas próprias escolas, muitas vezes ao invés de se fazer a denuncia aos órgãos competentes tenta-se resolver tudo dentro do próprio colégio. Aqueles que precisam dar aulas à noite, em especial nos bairros periféricos onde a incidência é maior, saem de casa com medo", relatou Andréa. 

A mãe de um aluno da rede municipal Gerlúcia Filgueira disse que mesmo estando dentro da escola, sente-se preocupada em relação ao seu filho.

"Ao fazer visitas aos colégios percebe-se que as coisas não são mais como antes. As crianças não brincam mais de forma saudável, como correr, jogar bola, elas brincam de 'brigar', o que muitas vezes acaba de fato gerando uma confusão. A gente fica preocupada quando as crianças e os adolescentes estão na unidade educacional e quando saem, pois o caminho para casa também se tornou perigoso. Falam sobre ronda escolar, mas eu mesma nunca vi na escola do meu filho", contou Andréa.

Muitas das queixas são omitidas pelos professores por medo de represálias e da descrença no sistema punitivo
Os professores afirmam que por falta de confiança no sistema punitivo e com medo de represálias por parte dos agressores, as pessoas já nem se dão ao trabalho de apresentar queixa, desta forma a percepção do nível de insegurança seria muito mais importante para a correção das eventuais vulnerabilidades que a artificial estatística das ocorrências ilegais registradas.

Uma prova disso como demonstra o responsável pelo responsável pelo 2º Batalhão da Polícia Militar, major Correia Lima, é a ausência de queixas a respeito da violência nas escolas. "Até agora não notificamos nenhuma ocorrência do tipo, porém estamos mantendo a ronda escolar, sob o regime de escalonamento, para atingir a todas as unidades do município".

Gerente de Educação de Mossoró, Ieda Chaves disse que infelizmente não tem como colocar um segurança em cada uma das 102 unidades de educação do município, porém alguns colégios já contam com esse tipo de serviço.

"Os policiais não podem e não devem ficar armados nas instituições de ensino, justamente para evitar certos tipos de incidentes. Foram registradas algumas ações relacionadas a arrombamentos, pequenos furtos, que na maioria das vezes é realizado pela própria comunidade. A secretaria tem feito um programa de prevenção contra as drogas nas escolas e buscado realizar um trabalho educativo com os pais dos estudantes, também está tendo continuidade a ronda escolar, realizado pela Polícia Militar", informou a gerente.

Os educadores do município destacam que devido os insultos, coações e agressões, além da falta de medidas efetivas no âmbito da segurança, os profissionais ficam desmotivados diante da profissão, além de apresentarem quadros de estresse e depressão.


Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Criado por: Petrus Estúdio - Projetado por: Pedro Júnior