domingo, 9 de setembro de 2012

Historiador avalia que os movimentos grevistas atuais estão mais organizados e mais fortes


No ano de 1977 não há registros de greves no Brasil, no entanto, nos anos que se seguiram, principalmente entre 1985 e 1992, foram registradas mais de 2.118 manifestações. Este ano não está sendo muito diferente, no primeiro semestre 30 categorias paralisaram suas atividades, destas apenas 17 categorias, isto é 250 mil servidores, resolveram encerrar o movimento.

Em Mossoró, várias instituições federais pararam de oferecer ao público os seus serviços, tais como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep) e a Polícia Federal. Mesmo atuando em diferentes departamentos os órgãos apresentam reivindicações semelhantes, como por exemplo, melhorias na estrutura física, reforço da segurança, aumento do número de profissionais através da realização de concursos, reajuste salarial, entre outras.

Segundo o historiador Geraldo Melo, mesmo não existindo greves tão grandes como as do passado, o que tem acontecido é que as classes estão mais organizadas e os movimentos são mais fortes.

"As manifestações do passado abriram as portas para a garantia de diversos direitos trabalhistas que existem hoje. O país viveu mais de vinte anos de repressão, porém com a chegada da democratização apareceu outro nível de conscientização por parte dos trabalhadores, e hoje os movimentos estão mais fortes, os indivíduos são mais engajados. Infelizmente, mesmo após tantos anos e tantos acontecimentos a greve é a única ferramenta que os profissionais possuem para exigir seus direitos, isso porque além de pressionar os patrões, o movimento possui grande influência e repercussão na sociedade", explicou o historiador.

Ele ainda destaca que o tempo das paralisações está diretamente ligado ao tipo de setor que está realizando a mobilização, ou seja, dependendo do grau de importância para a sociedade este irá demorar mais ou menos.

"Geralmente quando afeta o bolso ou a saúde das pessoas, as paralisações duram pouco. É inconcebível que instituições ligadas à educação estejam há mais de três meses paradas. Os pais e os alunos deveriam se fazer mais presentes durante a greve, porém os professores andam lutando sozinhos, e o que vai acontecer é que estes vão retornar às aulas sem conseguir as reivindicações. Os estudantes deveriam fazer como anos atrás, pintar a cara e sair às ruas", disse Geraldo.

O coordenador do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), em Mossoró, Fábio Procópio, alegou que ao começar as discussões sobre a possível paralisação os alunos se contraporam e após a instauração da greve não houve a participação nem dos pais nem dos estudantes.

"Não sei se a falha foi nossa, por não termos mantido um diálogo maior com os educandos, ou se esta é uma característica do local, na qual as pessoas não gostam de se envolver em assuntos do tipo. Acredito que se estas pessoas tivessem mais engajadas, talvez a situação vivenciada no momento fosse outra", relatou Fábio. 
Especialista avalia que mesmo sendo uma luta justa, a greve traz diversos prejuízos à população

Como destacou o sociólogoVanderlei Lima, não são apenas os patrões e as empresas que têm prejuízos com a paralisação das atividades, a população que se beneficia dos serviços oferecidos pelo Estado é a grande lesada.

"Mesmo sendo justas as manifestações acarretam diversos prejuízos sociais. Com a greve nas universidades a formação dos alunos é dificultada, as aulas atrasam e perdem a qualidade na hora de serem repostas, as pessoas que vivem em torno das instituições, como vendedores de lanches e profissionais que retiram xerox também sofrem danos econômicos. A paralisação da Polícia Federal acarreta o agravamento da insegurança, algumas atividades rotineiras, como fiscalizações, prisões entre outras são prejudicadas".

O presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal no RN (Sinpef), Odilon Benício Júnior, complementou dizendo que infelizmente a greve tem trazido diversos transtornos à população.

"Com a paralisação dos serviços mais de 1.300 passaportes deixaram de ser emitidos, o documento é liberado em casos especiais, como doença, viagens previamente marcadas, entre outras. Além disso as operações foram paradas, aumentando desta forma a insegurança em diversas regiões do Estado. Infelizmente não queríamos chegar a essa situação, porém devido aos problemas enfrentados pelos agentes, escrivães e papiloscopistas, essa foi a única forma encontrada para pressionar o Governo".

Odilon destaca que as principais dificuldades encontradas pela classe são a falta de profissionais, ocasionando desta forma o acúmulo de funções por algumas pessoas; a necessidade de se reforçar a segurança dos trabalhadores, já que estes sofrem ameaças e lidam com situações de risco rotineiramente.
"Não sei como os agentes de Mossoró estão fazendo para trabalhar, pois além do órgão contar com reduzido número de profissionais, a estrutura física é muito deficitária, não sendo adequada ou suficiente para atender a todas as atribuições da unidade no município, que cobre a sua área e outras 60 cidades".


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