sábado, 1 de setembro de 2012

Guarda impede mais uma fuga no presídio de Alcaçuz

Após motim, presos foram levados à quadra do presídio para contagem. Na ocasião, direção fez vistoria nas celas, onde encontrou televisores. Unidade está impedida de receber mais detentos por decisão da Justiça  
"Seria uma fuga em massa". A afirmação do agente Eduardo Júnior e resume o que poderia ter acontecido na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, na tarde de ontem, quando agentes penitenciários evitaram a fuga de 17 homens que já estavam em dois túneis abertos na quadra do Pavilhão 1.

O plano foi descoberto quando 250 presos tomavam banho de sol na quadra do presídio. Depois que a fuga foi abortada, os apenados reagiram à ação da segurança do presídio e arremessaram pedras contra os agentes, além de atearem fogo em colchões. Parte da estrutura do pavilhão também foi destruída pela ação dos apenados. O Grupo Especial de Operações (GOE)  foi chamado  para controlar o motim. Após a contagem, foi constatado que nenhum detento conseguiu escapar.

Dez presos já estavam em um túnel, enquanto outro grupo de sete apenados tentava a liberdade em uma segunda galeria subterrânea. Eles já iniciavam a fuga, quando foram interrompidos pela ação dos agentes.

De acordo com a diretora de Alcaçuz, Dinorá Simas, os túneis foram cavados durante o banho de sol em uma ação rápida. "Eles queriam chegar ao pátio principal e de lá usariam 'teresas' [escada improvisada com lençóis amarrados] para tentar passar pelo muro", detalhou. A ação, no entanto, foi contida pelos agentes penitenciários que, das escadas, perceberam a movimentação e impediram a fuga, por volta das 12h30.

Os detentos reagiram e teve início um motim na penitenciária.  Revoltados, os apenados derrubaram parte da estrutura de concreto do pavilhão para usar como armas contra os agentes. "Eles começaram a atirar pedras e atear fogo nos colchões", disse o agente penitenciário Eduardo Júnior. O agente explicou ainda que após a descoberta, os detentos começaram a tapar os buracos com água, pedras e areia. A equipe do GOE também foi acionada para atuar na operação. Em meio à confusão, o detento Sebastião Raimundo Fontes, preso há 10 anos e 11 meses, acusado de homicídio no município de Nísia Floresta, passou mal e teve convulsões. Ele foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Questionado se ação foi planejada por todos os detentos do Pavilhão 1 da unidade, o apenado nega. "Eu não tava sabendo de nada. Eu não tava no meio. Eu passei mal com a fumaça, as bombas e o spray de pimenta", diz.

Quando a rebelião foi controlada, os presos passaram pela recontagem onde foi constatado que não houve fugitivos. Na revista feita nas celas do Pavilhão 1, no entanto, foram encontradas 33 televisões e 22 aparelhos de som. Os eletrônicos foram retirados do pavilhão e amontoados na entrada da Penitenciária.

A diretora do presídio garante que a atitude dos apenados não ficará impune. Segundo Dinorá Simas, no que cabe à Alcaçuz, um processo administrativo será aberto. Em relação à Justiça, os presos também responderão. "Eles vão responder por danos ao patrimônio e tentativa de fuga por exemplo", explica. Caso sejam condenados pela lei, os presos podem aumentar o tempo na cadeia.

Os casos de revolta de apenados no Pavilhão 1 de Alcaçuz são constantes. Apenas nesse mês de agosto, é o segundo motim ocorrido na unidade prisional. No primeiro motim os presos de uma cela do pavilhão se rebelaram quando quatro detentos estavam sendo retirados do local para a progressão semiaberta. Os apenados chegaram a colocar fogo em alguns colchões e o Grupo de Operações Especiais (GOE) teve de ser chamado para controlar a situação.


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