domingo, 16 de setembro de 2012

Falta de professores nas redes de ensino estadual e municipal causa prejuízos a estudantes


As redes municipal e estadual de ensino de Mossoró apresentam problemas em comum, tais como o número reduzido de professores e dificuldade para encontrar educadores habilitados para matérias como inglês e língua portuguesa.


Essa situação reflete diretamente nos alunos que começam a se sentir desestimulados e deixam de estudar. O ensino de algumas disciplinas é prejudicado devido à ausência de educadores, os alunos apresentam problemas de aprendizado ao ingressar no ensino superior, entre outras consequências.

Segundo a presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum), Marilda Souza, o número de professores no município é muito reduzido, desta forma, para suprir a demanda existente deveria ser aberto um concurso para convocar no mínimo 300 educadores de imediato.

"Esse seria o número mínimo de convocações, acreditamos que o número real seja bem maior que esse, porém a Secretaria Municipal de Educação nunca nos forneceu esses dados. Com a falta de professores, principalmente em matérias específicas, o que tem sido registrado nas escolas é o aumento do número de aulas excedentes, isto é, aquelas que deveriam ser ministradas na ausência do docente, devido a problemas de saúde, licença-maternidade ou algo do tipo. Porém, essa prática tornou-se rotineira no dia-a-dia para tentar suprir a carência que existe, trabalhando dessa forma os profissionais acabam sobrecarregados", explicou Marilda.

O déficit de professores também pode ser registrado nas escolas estaduais. Em algumas delas, durante o período letivo deste ano, os alunos não tiveram acesso a disciplinas básicas como língua portuguesa e matemática. Esse é o caso da Escola Estadual Antônio de Souza Machado, na qual os estudantes do ensino fundamental maior, ou seja, do 6º ao 9º ano, chegaram ao segundo semestre escolar sem terem assistido a nenhuma aula de Português, Ciências, Inglês.

Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação (SEEC), o Sistema de Gestão de Pessoal (Sagep) revelou um elevado percentual de docentes que deveriam estar em sala de aula, mas estão em desvio de função.

Outro motivo apontado para o reduzido número de professores em atuação é a ausência do profissional específico para determinadas disciplinas, principalmente na área das ciências exatas. Segundo o órgão, é grande o déficit de aprovados no concurso em determinados municípios para essas disciplinas, o que impede a nomeação de um número maior de concursados. 

Além disso, seria muito alto o número de servidores que abrem processos de aposentadoria, licenças ou exonerações. Somente no primeiro semestre deste ano, mais de 600 profissionais da educação estadual deram entrada no pedido de aposentadoria. Enquanto que, os profissionais que solicitaram o afastamento para exercer atividade política ultrapassaram os 200.
A gerente da Educação e do Desporto, Ieda Chaves, disse que de fato existe vacância de professores na rede de ensino municipal, porém mesmo com a deficiência não faltam docentes na sala de aula.
"Com o aumento do número de alunos na educação infantil, percebeu-se a necessidade de aumentar a quantidade de pedagogos. Há também uma carência de educadores físicos. Para resolver esta situação, ainda este ano será aberto concurso público para convocar cerca de 50 profissionais", pontuou Ieda. 

Deficiência no ensino básico reflete negativamente no desempenho do aluno que ingressa na faculdade
A professora Maria Felipe destacou que existem diversas formas de se aprender, seja na internet, na rua, nos livros, porém o educador continua sendo a principal ferramenta na construção do conhecimento.

"Existe uma deficiência bastante grande em relação a professores para lecionar no ensino fundamental maior, pois do 6º ao 9º ano os estudantes começam a ter um professor para cada disciplina. Para lecionar em inglês, o profissional precisa ser formado em Letras, com habilitação em inglês, diferentemente do que acontece no ensino fundamental menor, onde o pedagogo é polivalente. Soma-se a isso o fato de que em alguns municípios os docentes sentem-se muito desestimulados, porque o salário não corresponde ao piso nacional. É preciso abrir mais concursos para suprir essa carência", explicou Maria.

O professor Samuel Freire disse que a deficiência no ensino básico prejudica bastante o aluno quando este ingressa no ensino superior.

"As dificuldades começam a surgir, especialmente, nas disciplinas iniciais que são mais teóricas, exigem mais leitura. Percebe-se que os alunos apresentam problemas para interpretar os textos, bem como para escrever. Em relação aos cálculos, alguns não sabem como fazer uma regra de três simples. Mas a culpa não pode ser colocada apenas na falta de educadores, estes profissionais, seja da escola pública ou privada, devem estimular a busca pelo conhecimento".

O secretário adjunto da SEEC Joaquim Oliveira informou que as regiões mais preocupantes em relação à falta de educadores é a "Tromba do Elefante" e o Mato Grande, em decorrência da carência de mão de obra.

Ele ainda destacou que a secretaria está estudando uma maneira de complementar a carga horária com outros processos que não seja a forma presencial do professor. "Ensino a distância, telecurso, tem que criar algo. Não é concurso que vai resolver. É uma carência de mercado", comunicou.

A vice-diretora da 12ª Diretoria Regional da Secretaria de Estado da Educação (Dired), de Mossoró, Maria Helena, comentou que para evitar que os alunos percam o conteúdo de algumas matérias, foi criada uma parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) para serem ministrados aulões.


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