sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Desmatamento da Caatinga poderá levar à desertificação de Mossoró

O crescimento desordenado de Mossoró vem causando o desmatamento do Bioma Caatinga na cidade. A informação é do professor-doutor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Ramiro Camacho, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas do Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional do Semi-Árido (Cemad).

Segundo ele, um monitoramento realizado pelo Ministério do Meio Ambiente coloca Mossoró na lista dos 20 municípios que mais desmataram entre os anos de 2002 e 2008. "Mossoró ficou na 16ª posição, enquanto Touros ficou na 18ª posição. Até 2011, 48% do Bioma Caatinga da cidade já havia sido desmatado", comenta.

O professor explica que o aumento do desmatamento pode ocasionar a desertificação. "As atividades econômicas e o 'boom' imobiliário fizeram com que a cidade expandisse para a zona rural, o que vem acelerando o desmatamento desde a década de 1990", explica Ramiro Camacho.

Restando somente 52% do Bioma Caatinga em Mossoró, o coordenador do Cemad afirma que a situação é preocupante. "É preciso rever os conceitos de meio ambiente, de educação ambiental, preservação do rio Mossoró e matas ciliares. É preciso também a criação e manutenção de manchas verdes e a criação de parques naturais de forma a reverter esse quadro", esclarece.

Para o professor, entre as atividades de educação ambiental é importante desmistificar o Bioma Caatinga. "Nos livros, na música, na escola, na novela, a caatinga é estigmatizada, associada à pobreza e à miséria. No entanto, é um dos mais ricos em biodiversidade", afirma Ramiro Camacho.

Sobre o problema do desmatamento e a consequente desertificação da cidade, o gerente municipal da Gestão Ambiental, Mairton França, participou, nesta semana, de uma reunião em Brasília com Francisco Campelo, diretor de florestas do Ministério do Meio Ambiente.

Durante a reunião, foi discutido um projeto de divulgação da desertificação de Mossoró. "O projeto deverá ser lançado até o final deste ano para se entender melhor o processo de desertificação", conclui o gerente.


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